Seu pensamento voou de novo, desta vez até Sarah. Tracy
pretendia ligar para ela contando a novidade quando voltasse para o
apartamento, mas uma coisa levou a outra com Ben, embora, aparentemente, Sarah
já soubesse do pedido. Ben contou para Tracy que Sarah tinha ajudado a planejar
a noite. Foi por isso que a irmã errou dois alvos. Ela queria que Tracy
vencesse para não ficar noiva de mau humor.
Sentindo-se culpada por ter reclamado com Sarah, Tracy rolou
de lado e olhou a hora no despertador digital no tapete ao lado do colchão. Os
números vermelhos brilhavam: 6:13 da manhã. Sarah nunca sairia da cama tão cedo
para atender a extensão no corredor da casa dos pais. Tracy teria que esperar
para ligar para ela.
Perdendo o interesse em dormir, Tracy rolou para perto de
Ben, aconchegando-se ao corpo dele, sentindo seu calor irradiar. Como Ben não
reagiu, ela se apertou mais nele e passou os dedos pelos músculos de seu
abdômen, terminando por tomá-lo na mão, sentindo-o endurecer.
O telefone tocou.
Ben grunhiu, e de um modo não muito bom.
Tracy afastou o lençol, rolou para fora da cama e cambaleou
por cima das roupas que eles tinham tirado, apressados, na noite anterior. Na
cozinha, ela pegou o fone no suporte de parede.
— Alô?
— Tracy?
— Pai?
— Eu liguei antes.
— Desculpe, acho que não escutei…
— Sarah está com você?
— Sarah? Não. Ela está em casa.
— Ela não está em casa.
— O quê? Espere, vocês não estão no Havaí? Que horas são aí?
— É cedo. Roy Calloway disse que não conseguiu falar com ninguém em casa.
— Por que Roy foi até em casa?
— Encontraram a sua picape. Você teve algum problema
mecânico ontem à noite?
Tracy estava com dificuldade para acompanhar a conversa. Sua
cabeça latejava devido a vinho demais e sono de menos.
— Como assim encontraram? Encontraram onde?
— Na estradinha local. O que aconteceu?
Tracy sentiu uma onda de terror envolvê-la. Ela tinha dito a
Sarah para usar a autoestrada.
— Tem certeza?
— Claro que tenho! Roy reconheceu o adesivo na janela de
trás. Sarah não está com você?
Ela sentiu a cabeça ficar leve e o estômago revirar.
— Não, ela foi para casa.
— O que você quer dizer com “foi para casa”? Você não estava
com ela? — Não, eu estava com Ben.
— Você a deixou voltar sozinha de Olympia? — Ele estava
começando a gritar.
— Eu não a deixei… Pai, eu…
— Ah, meu Deus.
— Ela deve estar em casa, pai.
— Acabei de ligar lá. Duas vezes. Ninguém atendeu.
— Ela nunca atende. Deve estar dormindo.
— Roy foi até lá. Ele bateu na porta da frente…
— Eu vou até lá agora, pai. Pai, eu disse que vou até lá
agora. Claro que eu ligo para você quando chegar. Eu disse que vou ligar quando
chegar lá. Ela desligou o telefone, tentando entender a situação.
Roy Calloway disse que não tinha encontrado ninguém na casa.
Encontraram a sua picape.
Ela inspirou fundo, lutando com a ansiedade crescente,
dizendo a si mesma para não entrar em pânico, dizendo a si mesma que tudo
estava bem. Acabei de ligar lá duas vezes.
Sarah devia estar dormindo e ou não ouviu o telefone tocar
ou o ignorou. Era típico dela ignorar o telefone.
Roy bateu. Ele bateu na porta da frente…
Ninguém respondeu.
— Ben!

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